Por Eduardo da Silva Alentejo
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O dia 12 de março é a data comemorativa do dia do bibliotecário e se refere ao nascimento de Manoel Bastos Tigre. Ele nasceu em Recife, a 12 de março de 1882, filho de Delfino da Silva Tigre e Maria Leontina Bastos Tigre. Faleceu no Rio de Janeiro, a 2 de agosto de 1957 (Menezes, 1966).
Ser humano de múltiplos talentos, pois foi jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário, além de engenheiro e bibliotecário. Prestou concurso para Bibliotecário do Museu Nacional (1915) com tese sobre a Classificação Decimal. Mais tarde, transferiu-se para a Biblioteca Central da Universidade do Brasil, onde serviu por mais de 20 anos. Exerceu a profissão de bibliotecário por 40 anos (Menezes, 1966).
Ele é considerado o primeiro bibliotecário concursado no Brasil (Menezes, 1966).
(SAUDADE, [2021]).
O bibliotecário transitou com enorme talento o mundo literário, musical e artístico. Compôs marchinha de carnaval e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, em 1917.
Manuel Bastos Tigre é um exemplo de bibliotecário, daqueles que Pereira em 2025 perguntou onde estavam; o clássico bibliotecário, preocupado com as comunidades de informação sem perder o conhecimento profundo dos fenômenos ligados ao registro do conhecimento humano e atento às diretrizes de condução política de seu país.
Ele é o tipo de bibliotecário que pouco se vê hoje em dia. Aquele que se via em países onde a história da biblioteca é bem diferente de muitos países, marcados por ditaduras, corrupção, castas privilegiadas e assistencialismo barato.
Países onde educação, cultura e saúde são transformados em meios para perpetuação no poder de certos grupos políticos. Com cúmplices dos serviços de comunicação social. Onde escola e biblioteca são exemplos de sucateamento. E em atendimento aos interesses do capitalismo de compadrio vigente no Brasil, professores e bibliotecários são feitos de produtos baratos.
Exatamente em 12 de março de 2026, não tivemos postagem sobre o dia do bibliotecário. Profissão que nos orgulha e da qual podemos destacar bons exemplos. Em 2025, Pereira abordou o profissional da Biblioteconomia clássica, longeva e universal. Hoje, em particular, temo pelo futuro das bibliotecas e da profissão e de sua formação no Brasil.
Qual instituto ou órgão de governo tem a responsabilidade de recensear e atualizar, periodicamente, a quantidade de bibliotecas públicas e escolares que abrem portas ou que fecham?
Quais indicadores-padrão são formalmente utilizados por organismos bibliotecários para medir o status quo da Biblioteconomia e da profissão no País?
Contabilizando o número de bibliotecários ativos, registrados nos conselhos regionais, o Conselho Federal de Biblioteconomia contabiliza cerca de 21.008 bibliotecários ativos em 2025 (SINBIESP, 2025). Isso significa que o Brasil apresenta a seguinte proporção de profissionais por habitante: 0,1 bibliotecários para cada 1.000 habitantes (um profissional para cada 10.000 pessoas). É pouco. Muito pouco.
Todavia, se fosse verdade a propaganda de governo, que diz crescer a rede de bibliotecas públicas e escolares, seria possível dizer que são gerenciadas por bibliotecários aptos ou mesmo por Técnicos em Biblioteconomia em conformidade com a lei?
Na verdade, números inflacionados disfarçam lacunas e escondem estruturas insuficientes para fins políticos?
Exemplo: até 2022, a cidade do interior do Rio de Janeiro, Cachoeiras de Macacu, tinha a biblioteca matriz e várias filiais nos bairros da cidade que foram fechadas com a promessa de que voltariam em outros espaços, mais fortes. Na prática isso não aconteceu. E como está no papel de prestação de contas ao TCE/TCU?
Esse cenário não é novo; é um velho republicano, bem conhecido.
Um exemplo de esforço mundial é o relatório anual da IFLA ([2021?]). O relatório Global Vision Report Summary revela informações incríveis sobre as opiniões de mais de 31.000 participantes de 190 Estados-Membros da ONU em todos os sete continentes.
Esse estudo resultou no estabelecimento de dez destaques e oportunidades para bibliotecários que auxiliam à IFLA a moldar a segunda fase da discussão da pesquisa Visão Global da IFLA ([2021?]), que convida o setor bibliotecário a construir um “repositório de ideias” vibrante e a explorar como podemos transformar ideias em ações.
Isto é um exemplo de cooperação bibliotecária e compartilhamento de inteligência coletiva do qual o Brasil, suas instituições de representação profissional e acadêmica, tomam parte ativamente. Esmeram-se para o fortalecimento de bibliotecários e bibliotecas no Brasil.
Nós da SBB desejamos que nossos institutos, academias, órgãos de classe e agremiações bibliotecárias tenham êxito sobre as mazelas cotidianas que teimam em nos assombrar.
Feliz mês do Bibliotecário (um único dia é pouco para tanta saudade daqueles bibliotecários).
Referências
IFLA. Global Vision Report Summary. [The Hague], ([2021?]). Disponível em: https://www.ifla.org/global-vision-report-summary/. Acesso em: 30 mar. 2026.
MENEZES, Raimundo. Bastos Tigre e “La Belle Époque”. São Paulo: Edart, 1966.
PEREIRA, Gabriel Alves. PEREIRA, Gabriel Alves. Por onde andam aqueles bibliotecários?. SBB, Rio de Janeiro, 12 mar. 2025. Disponível em: https://sociedadebibliograficab.com/2025/03/12/por-onde-andam-aqueles-bibliotecarios/. Acesso em: 30 mar. 2026.
SAUDADE … [S. l.: s. n.], [2021]. 1 vídeo (1 min). Publicado pelo canal Mundo dos Poemas. Disponível em: https://youtu.be/3hsT2glzPBY?si=ZIhxaqFWpjG7AX6P. Acesso em: 30 mar. 2026.
SINBIESP. Quantos Bibliotecários existem no Brasil? São Paulo, 2025. Disponível em: https://sinbiesp.org.br/2025/09/15/numero-bibliotecarios-2025/. Acesso em: 30 mar. 2026.
Como citar esse artigo:
ALENTEJO, Eduardo da Silva. Saudade: dia do Bibliotecário, 12 de março. Rio de Janeiro: SBB, 2026. Disponível em: https://sociedadebibliograficab.com/2026/03/30/saudade-dia-do-bibliotecario-12-de-marco/. Acesso em: 30 mar. 2026.