Os anjos da lama: o poder das comunidades

Por Eduardo Alentejo

Desastres naturais assim como doenças, conflitos e guerras acompanham a humanidade. O grande dilúvio reportado pela Bíblia é uma das histórias mais antigas de eventos devastadores. As ciências naturais revelam outros que foram e continuam capazes de modificar nosso planeta em sucessivos processos de mudanças climáticas e geológicas. Ao longo da história, muitas vidas foram ceifadas – vidas são frágeis, vidas importam.

Nos percursos catastróficos, continuamos carentes de informação fidedigna, de governos realmente honestos e justos. Em momentos de crises, o socorro emanado pelas próprias comunidades traduz a essência fraterna da humanidade – ainda que a crueldade se infiltre, eventualmente. Desde o dia 27 de abril de 2024, cidades do Rio Grande do Sul foram sucessivamente inundadas por chuvas torrenciais (Guimarães, 2024). Em meio a ausências de políticas suficientes de prevenção ou para rápidas respostas aos desastres, vale celebrar as vidas que foram salvas. Mas se a sociedade também é feita de memórias, como as pessoas reencontrarão seus lares, suas lembranças, seus afetos, seus amores, seus álbuns de retrato etc. diante de perdas e dores? Como reconstruir seus jardins, suas ruas, suas praças, seus arquivos, suas bibliotecas?

Os pontos que gostaríamos compartilhar com nossos leitores são: ajuda humanitária e cooperação para o desenvolvimento como primeiras respostas a estes acontecimentos. A ajuda humanitária visa aliviar os efeitos imediatos de catástrofes naturais (como enchentes e terremotos) e humanas (como guerras e conflitos violentos), sendo normalmente de pouca duração, terminando quando se dá um aliviamento da situação. A cooperação para o desenvolvimento tem finalidades de longo prazo, procurando alterar estruturas sociais e econômicas de países e regiões, de forma a combater problemas de origem bastante complexa.

Nessa postagem, trazemos um exemplo do qual grupos civis atuaram como socorristas, em ajuda humanitária e cooperação em um evento de inundação. Em 1966, o Rio Arno transbordou e a cidade de Florença, na Itália, foi devastada: os guardas municipais, bombeiros, militares e muitos cidadãos se disponibilizaram para salvar vidas que as águas do rio teimavam em levar (Oliveira, 2019).

O cineasta Franco Zeffirelli esteve na cidade na ocasião e realizou o documentário intitulado Florence: Days of Destruction, e registrou que os cidadãos lamentavam a perda de vidas e tentavam salvar o que podiam do aumento da água, do óleo usado para aquecimento e da lama.

No dia 4 de novembro, as inundações mais devastadoras da história da Itália varreram um terço do país. A mais atingida foi a cidade de Florença, com a sua arte de valor inestimável. As perdas em Florença são as piores que se pode imaginar depois das perdas de vidas humanas. Porque as imagens da nossa própria civilização estão se perdendo, afirma o apresentador e narrador Richard Burton no início do documentário. Franco Zeffirelli e eu [Richard Burton] decidimos testemunhar estes dias em Florença. […] o documentário mostra a violência repentina das enchentes, as águas subindo, expandindo, a corrente ficando mais forte, tornando-se torrencial (Florence…, 1966, transcrição e tradução nossa).

Vale destacar que monumentos, obras de arte e acervos bibliográficos foram soterrados na lama, incluindo a Biblioteca Nazionale de Florencia (Alentejo, 2023, p. 215). Nesse evento, civis tentaram amenizar os problemas causados pelas cheias, incluindo uma multidão de jovens voluntários de várias nacionalidades, chamados “os anjos da lama”, atuando desde o salvamento de pessoas quanto dos artefatos da memória artística e bibliográfica do berço do Renascimento:

As pessoas estão isoladas, encalhadas, indefesas. E então, com um esforço incrível, a vida recomeça. As pessoas ajudam-se umas às outras e depois chega ajuda de todo o mundo. A cidade está desolada, os danos são vastos e ainda incalculáveis. A grande herança artística de Florença foi devastada por suas pinturas, esculturas, livros e afrescos de valor inestimável. A Biblioteca Nacional foi invadida pela água e grande parte do seu grande acervo perdido para sempre, toda a igreja de Santa Croce foi invadida pela água e seus tesouros cobertos de lama e óleo. Centenas de pessoas trabalham dia e noite aqui em Santa Croce, diz um voluntário americano, procurando coisas, removendo, tentando salvar, cavando, limpando. Não eram mãos experientes, eram voluntários, soldados, estudantes, jovens de todo o mundo. Mas ninguém poderia ter trabalhado com mais cuidado e amor, apesar das péssimas condições, do cansaço, do cheiro de lama, do frio (Florence…, 1966, transcrição e tradução nossa).

O documentário Florence: days of destruction foi lançado menos de um mês após o desastre e teria arrecadado recursos dedicados aos esforços de reconstrução de Florença (Suesz, 2023, tradução nossa). Ao assistirmos o documentário, podemos perceber o poder das comunidades que unidas pela fraternidade envolveram outros grupos humanos nacionais e internacionais em torno da ajuda humanitária e cooperação da qual se estendeu por anos nas possibilidades de restauração de bens patrimoniais, da assistência à saúde dos sobreviventes e da recuperação da memória coletiva (1966 Florence…, 2019).

A eterna batalha contra o esquecimento do passado se iniciou desde a enchente em Florença; parcos recursos federais foram destinados à reconstrução da cidade e com isso, a constatação de que se não fossem a ajuda humanitária e a cooperação de civis unidos, vidas, suas memórias e suas culturas seriam mais afetadas pelo desprezo político dos governantes ao seu povo, a suas vidas e aos seus aparelhos culturais.

Vários planos foram propostos para resolver a situação ao longo dos 50 anos; e muitos livros foram escritos sobre as inundações, que foram adquiridos pelo centro de documentação de inundações, do CEDAF, tornando a inundação do Arno talvez uma das inundações mais bem documentadas de todos os tempos. Mas, tal como acontece com tantos perigos de inundação, com o tempo torna-se cada vez mais fácil esquecer a preparação para a próxima inundação (Suesz, 2023, tradução nossa).

Em relação ao patrimônio cultural diante do que ocorreu em Florença, a comunidade internacional se mantém atenta à segurança do patrimônio cultural universal diante de conflitos armados e desastres naturais que podem fazer desaparecer em pouco tempo os ícones culturais da civilização humana (Mattar, 2012).

Muitas convenções de alcance internacional foram formalizadas visando fornecer cobertura para proteção internacional aos bens culturais. Alentejo (2017, p. 922, tradução nossa) destacou, por exemplo: Convenção para a Proteção de Bens Culturais em Caso de Conflito Armado (Convenção de Haia, 1954), Convenção Relativa à Proteção do Patrimônio Cultural e Natural Mundial (1972) e Recomendação sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Folclore de 1989.

Em 2001, a 31ª Conferência Geral da Unesco foi impactada pelo ataque terrorista ocorrido nos Estados Unidos em 11 de setembro daquele ano, resultando na Declaração Universal da Unesco sobre Diversidade Cultural (UNESCO, 2012, não paginado, tradução nossa).que reafirmou a natureza universal dos bens culturais humanos do seguinte modo:

[…] o reconhecimento internacional de que bens e serviços culturais não devem ser considerados mercadorias ou bens de consumo. Essa afirmação parte do entendimento de que as sociedades são vetores de identidade, valores e significados, e, portanto, os direitos culturais são universais, indivisíveis e interdependentes.

Em relação às bibliotecas, sabemos que não são mais os únicos pontos de acesso à informação. No entanto, continuam a ser instituições importantes para diversas questões sociais, tais como fins culturais e educacionais e salvaguarda da memória coletiva. Nem tudo está ou estará em formato digital; nem tudo estará disponível para acesso total com base em redes digitais (Oppenheim; Smithson, 2008).

Estes fatores têm exigido constante questionamento destes equipamentos culturais procurando repensar o seu papel na sociedade atual. A literatura relata iniciativas bem-sucedidas que permitem prever um futuro brilhante para as bibliotecas. Mas, no caso de forças externas incontroláveis, como desastres naturais, tanto a sociedade como as bibliotecas tendem a sofrer o peso dos seus efeitos, com poucas oportunidades de se defenderem (Alentejo, 2017, p. 216, tradução nossa), contando somente com o poder das comunidades para ajuda humanitária e cooperação.

É preciso que todos nós contemos as histórias dessas comunidades: desde a emergência ambiental ao salvamento de vidas – fundamental e incondicional. Também devemos dar atenção aos processos de recuperação das regiões e empregos afetados, sem perdermos de vista os patrimônios culturais. No contexto das tragédias no Rio Grande do Sul, nós bibliotecários podemos contribuir de muitas formas. Por exemplo, a Escola FEBAB está com “inscrições abertas para workshops e palestras em prol dos colegas do Rio Grande do Sul”. São vários cursos e workshops on-line destinados à formação e aprimoramento técnicos na área da Biblioteconomia https://febab.org/2024/05/18/acoes-de-formacao-da-escola-febab-sos-biblioteconomia-rio-grande-do-sul/.

Os valores arrecadados serão transferidos para o Fundo de ajuda humanitária e cooperação instituído pela Associação Rio-Grande de Bibliotecários com o apoio da FEBAB. Dentre as várias oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento oferecidos, também indicamos o seguinte:

Workshop “Resgate e primeiros socorros de obras de acervos em emergências com água” https://s7538398.sendpul.se/sl/MTkyMzQ0NTU=/d37524b8eaac6dfd82172b5ca02aa0a28a76es6

Quando: 5 de junho, às 13h30

Quanto: R$30,00

Carga horária: 2h

Ministrantes: Andréia Wojcicki Ruberti, Coordenadora do Laboratório de Conservação Preventiva da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. Nathalie Zavagli, Bacharel em Biblioteconomia pela USP. Estagiária do Laboratório de Conservação Preventiva da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP.

Resumo: O workshop sobre resgate de obras de acervos em emergências com água tem por objetivo apresentar técnicas de regate e primeiros socorros para obras atingidas por água de chuvas, inundações, entre outros, auxiliando profissionais que atuam em bibliotecas, arquivos e museus a resgatar e iniciar os primeiros procedimentos de salvamento e recuperação de livros, documentos, multimeios e outros suportes de informação.

“[…] nas mãos de bibliotecários, o poder é a capacidade de fazer para as nossas comunidades e, finalmente, a nossa sociedade, um lugar melhor” (Lankes, 2011, p. 80). Em nossa condição humana, a compaixão demonstrada é dever de nossa essência e motivo de nossa existência. A ética profissional nos impulsiona a fortalecer nossa profissão e a consolidar nossas atividades e bibliotecas como aparelhos culturais essenciais para nossas comunidades, principalmente àquelas atingidas pelas enchentes na região sul do Brasil. Obrigado por sua leitura.

Referências

1966 FLORENCE Flood Documentary Screening. Magenta, Florence, 2019. Disponível em https://www.magentaflorence.com/1966-florence-flood-documentary-screening/. Acesso em 28 maio 2024.

ALENTEJO, Eduardo da Silva. Controle Bibliográfico Nacional na Era Digital. Rio de Janeiro: SBB, 2023. Disponível em: https://archive.org/details/cbn-era-digital-e-alentejo. Acesso em: 28 maio 2024.

ALENTEJO, Eduardo da Silva. External issues affecting Libraries: an interaction in International and Comparative Librarianship. QQML Journal, [Limerick], v. 5, n. 4, p. 913-925, July 2017.

FLORENCE: days of destruction. Direção: Zeffirelli Franco. Narração: Richard Burton. Roteiro: Bruno Colombo. Música: Vlad Roman. Produção: Brice Howard. Entrevista: Frederick Hartt. Roma: RAI – Radiotelevisione italiana, 1966. 1 videotape (50 min), son., P&B.

GUIMARÃES, Saulo Pereira. Cronologia de enchente no Rio Grande do Sul revela tragédia anunciada; veja… – UOL, São Paulo, cotidiano, 10 maio 2024, não paginado. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/05/10/cronologia-enchente-chuvas-rio-grande-do-sul-2024-tragedia-sem-precedente.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em: 26 maio 2024.

LANKES, R. David. The Atlas of New Librarianship. Cambridge: Mit Press, 2011.

MATTAR, Eliane. Legislação patrimonial. In: SILVA, Maria Celina Soares de Mello e (org.). Segurança de acervos culturais. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2012. p. 33-52.

OLIVEIRA, Cristiane de. Florença e a inundação do rio Arno em 1966. Florença, 2019. Disponível em: https://guiaflorenca.net/florenca/florenca-e-a-inundacao-do-rio-arno-em-1966/. Acesso em: 29 maio 2024.

OPPENHEIM,  C.,  SMITHSON,  D. What is the hybrid library? Journal  of  Information Science, [London], v. 34, n. 1, p. 577-590, 2008.

SUESZ, Eric. Protecting Florence’s past from the future. [S.l.]: One Water Blog, 2023. Disponível em: https://www.autodesk.com/blogs/water/2023/02/20/protecting-florences-past-from-the-future/. Acesso em: 29 maio 2024.

UNESCO. The Memory of the World in the Digital Age: Digitization and Preservation. Vancouver: UNESCO/UBC, 2012, não paginado. Disponível em: . https://mowlac.files.wordpress.com/2012/05/unesco_vancouver_declaration_declarat ion-on-digitization-and-preservation-en.pdf. Acesso em: 28 maio 2024.

Fonte da Fotografia: Florence: days of destruction, 1966.

Sociedade Bibliográfica Brasileira na Seção Bibliografia da IFLA

Building a National Bibliography: Models from Around the World

Frameworks and foundations of National Bibliographies

Por Eduardo Alentejo

O primeiro Webinar da IFLA, da seção Bibliografia, ocorreu em 30 de abril de 2024. Gabriel Alves e eu apresentamos nosso trabalho intitulado Current Brazilian Bibliography in the Digital Era – Bibliografia Brasileira Corrente na Era Digital. Quatro apresentações, incluindo a nossa, foram escolhidas pelo comitê de avaliação da IFLA por entenderem as contribuições que cada trabalho provia para garantir a qualidade do tema Marcos e fundamentos das Bibliografias Nacionais (tradução nossa) https://www.ifla.org/events/webinar-building-a-national-bibliography-models-from-around-the-world-registration/.

Nesta oportunidade, nós abordamos os elementos fundadores para a transformação disruptiva desenvolvida pela nossa Agência Bibliográfica Nacional que organiza e disponibiliza os registros bibliográficos oficiais de nossa bibliografia corrente e com economia de energia e recursos.

Destes elementos, destaco aqui o desenvolvimento do Formato CALCO de catalogação legível por computador que proporcionar uma ampla rede de cooperação em catalogação que foi denominada BIBLIODATA e liderada pela Fundação Biblioteca Nacional. Outro elemento destacado foi com a concepção da BNDigital, versão digital da Biblioteca Nacional Brasileira cujo portal oferece a oportunidade de acessar dados bibliográficos do catálogo on-line bem como da bibliografia brasileira.

Também destacamos a arquitetura do atual sistema de controle bibliográfico brasileiro. As possibilidades de padronização bibliográfica somadas às tecnologias de transmissão e compartilhamento de informações por meio de protocolos e formatos caracterizam o modelo brasileiro vigente do controle bibliográfico nacional.

Nosso leitor, poderá assistir ao vídeo com a apresentação no trabalho:

Concluímos que a produção, organização e divulgação da bibliografia brasileira, a cargo da Fundação Biblioteca Nacional, apresenta um modelo distinto de muitos países. Primeiro porque na mesma interface de buscas e recuperação da informação é possível realizar pesquisas em ambos os produtos – catálogos e bibliografia nacional; segundo porque a aplicação de tecnologias, de modo inovador, permite o acesso universal aos registros bibliográficos, livres de barreiras e de acesso gratuito seja por máquinas convencionais ou telefonia móvel na Web.

A participação da SBB foi importante para dar visibilidade a um tema pouco explorado nos meios de comunicação científica no País. Além disso, a SBB celebrou nossa Biblioteca Nacional, seus profissionais e a sociedade brasileira. Somos muito gratos à IFLA por esta oportunidade.

Deixamos aqui á disposição dos interessados os slides que apresentamos para consultas, lembrando que destaques de nosso texto devem ser devidamente citados.

O renascimento da Biblioteca de Alexandria

A Biblioteca de Alexandria renasceu em outubro de 2002 para recuperar o manto de seu antigo homônimo.

Não é apenas um edifício de extraordinária beleza; ela também é um vasto complexo onde a arte, história, filosofia e ciência vêm juntos. Além disso, as inúmeras atividades que oferece fizeram-lhe um lugar aberto para a discussão, diálogo e entendimento https://www.bibalex.org/en/default.

O horizonte imperial da antiga Biblioteca de Alexandria rapidamente se expandiu para um escopo universal, tal como se refletia em sua coleção de livros para além do reino de seus governantes.

No Século III, a.C., por ordem de Ptolomeu Philadelphus, o poeta e bibliotecário Callimachus em Alexandria compilou o catálogo com as mais importantes obras da Biblioteca chamado Pinakes, ordenado com 120 assuntos.

Graças à imprensa de Gutenberg, a ideia de conhecimento universal trazida pela Biblioteca de Alexandria foi difundida pelo poder do livro impresso e, desde o final da Idade Média, encontrou expressão também em ideais de uma bibliografia universal, como a obra Bibliotheca universalis de Conrad Gesner, de 1545.

O ideal de universalização do conhecimento foi intensificado no Século XIX, com o Répertoire bibliographique universele de Paul Otlet e Henry La Fontaine, refletindo-se, por exemplo, em acordos internacionais formais para o intercâmbio de publicações entre instituições de diferentes países.

A Nova Biblioteca de Alexandria dedica-se a recuperar o espírito de abertura e erudição da Bibliotheca Alexandrina original. É muito mais que uma biblioteca.

Essa concepção está alicerçada pilares universalistas. O papel único da Biblioteca de Alexandrina centra-se em quatro aspectos principais, que procuram recapturar o espírito original da antiga Biblioteca de Alexandria. A nova Biblioteca de Alexandria aspira ser:

A janela do mundo para o Egito.
A janela do Egito para o mundo.
Uma instituição líder da era digital.
Um centro de aprendizagem, tolerância, diálogo e compreensão.

Além de integrar museus, bibliotecas universitárias e de arte do país, sua estrutura organizacional é composta por: a Biblioteca Principal (que pode conter até milhões de livros) e suas bibliotecas afiliadas: a Biblioteca Francófona, a Biblioteca Depositária e a Biblioteca de Mapas https://youtu.be/nwaBKZoWVgs?si=FulYut24RETfirnZ.

Também integra, desenvolve e administra seis bibliotecas especializadas:

A Biblioteca de Artes e Multimídia
A Biblioteca Taha Hussein para deficientes visuais
A Biblioteca Infantil
A Biblioteca dos Jovens
A seção de troca e arquivo
Biblioteca de livros raros e coleções especiais

A Biblioteca Alexandrina pretende ser: um centro de excelência na produção e difusão de conhecimento e ser um local de diálogo, aprendizagem e compreensão entre culturas e povos https://www.bibalex.org/en/Page/About.

O que é uma Biblioteca Nacional?

Uma biblioteca nacional é criada por um determinado governo de uma nação para servir como repositório preeminente de informações, memória e patrimônio bibliográfico nacional, refletindo a história e cultura nacionais de seu povo.

Na voz da Federação Internacional de Associações e Instituições de Bibliotecas – IFLA, bibliotecas nacionais são as guardiãs do património cultural nacional de um país. Recolhem, preservam e disponibilizam a história de um país a todos os seus cidadãos e abrem uma janela sobre esse país a pessoas de todo o mundo https://www.ifla.org/units/national-libraries/.

Ao contrário das bibliotecas públicas e especializadas, raramente permitem empréstimo domiciliar. Frequentemente, suas coleções e acervos incluem inúmeras obras raras, valiosas ou significativas, tanto em termos de exclusividade quanto de obras que registram a história de uma nação.

As bibliotecas nacionais são notáveis pelo seu tamanho e oferta de serviços de informação, liderança em serviços nacionais de documentação, funcionar como agência bibliográfica nacional (ABN), coordenação de redes de bibliotecas e desenvolvimento de catálogos coletivos, locais e nacionais. Em suas origens, em geral, bibliotecas nacionais com funções de ABN estão intimamente ligadas, no passado, àquelas do depósito legal e de aquisições de monarcas bibliófilos e indivíduos ricos.

Algumas bibliotecas nacionais podem ser temáticas ou especializadas em alguns domínios específicos, ao lado ou em substituição da biblioteca nacional “principal”. São exemplos disso: National Library of Medicine (EUA) https://www.nlm.nih.gov/ e a Biblioteca Nazionale Centrale dei Firenze (Itália) que é uma biblioteca pública nacional e uma das duas bibliotecas nacionais centrais da Itália.

Muitas bibliotecas nacionais cooperam no âmbito da Secção de Bibliotecas Nacionais da IFLA para discutir as suas tarefas comuns, definir e promover padrões comuns e realizar projetos que as ajudem a cumprir os seus deveres com base na cooperação regional e internacional.

A Secção de Bibliotecas Nacionais da IFLA apoia as bibliotecas nacionais na melhoria dos seus serviços, gerando discussão sobre temas de interesse estabelecidos e emergentes: depósito legal; catalogação e preservação; digitalização e serviços digitais; disseminação de dados e mineração de dados; a prestação de serviços centrais comuns (por exemplo, serviços de referência, bibliografia, preservação, circulação, pesquisa bibliográfica) a seus usuários e bibliotecas no seu território nacional; e a promoção da defesa da língua e da política cultural nacional.

Por Eduardo Alentejo

Mergulhando na Profundeza de “Baby Reindeer”: Uma Jornada Literária e Reflexiva

por Rodrias

Baby Reindeer, o aclamado livro de Richard Gadd, não se limita a ser apenas uma peça teatral: é uma profunda exploração da psique humana, tecida com humor ácido e drama visceral.

Na obra, Gadd nos convida a acompanhar a jornada de um homem atormentado por um passado traumático, onde um encontro casual se transforma em um pesadelo de obsessão, ilusão e as consequências devastadoras de um único erro.

Uma Jornada Literária Inquietante:

Baby Reindeer não é uma leitura fácil. Gadd nos guia por um labirinto de pensamentos fragmentados e emoções intensas, confrontando-nos com temas como abuso sexual, paranoia e a fragilidade da mente humana.

O livro exige do leitor um mergulho profundo na psique do protagonista, em suas motivações e na forma como ele lida com o trauma. É uma jornada literária inquietante, mas também recompensadora, que nos convida a refletir sobre os limites da empatia, a natureza da justiça e o poder da arte para curar.

A Bibliografia como instrumento de Cura:

Baby Reindeer também nos convida a refletir sobre o papel da bibliografia como instrumento de cura e autoconhecimento. A literatura, em suas diversas formas, pode ser um refúgio para aqueles que enfrentam traumas e dificuldades emocionais.
Através da leitura, podemos encontrar personagens que compartilham nossas experiências, histórias que nos inspiram e perspectivas que nos desafiam a repensar o mundo ao nosso redor.

Um Livro Essencial para Leitores Reflexivos:

Baby Reindeer é um livro essencial para leitores que buscam uma experiência literária profunda e desafiadora. É uma obra que nos convida a confrontar nossos próprios demônios e a refletir sobre as complexas questões da natureza humana.

Se você está buscando um livro que te faça pensar, sentir e questionar, Baby Reindeer é a escolha perfeita.

Lembre-se: A leitura de Baby Reindeer pode ser um gatilho para aqueles que sofreram traumas semelhantes. Se você precisar de apoio, procure um profissional de saúde mental qualificado.

FEBAB lança Plataforma Bibliotecas Brasileiras

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS, CIENTISTAS DE INFORMAÇÃO E INSTITUIÇÕES. Plataforma das Bibliotecas Brasileiras. São Paulo, [2024]. Disponível em: https://www.bibliotecas.org.br/. Acesso em: 10 maio 2024.

No Brasil, iniciativas de mapeamento das bibliotecas foram sendo descontinuadas. São exemplos: em 1969, o Instituto Nacional do Livro publicou o Guia das Bibliotecas Brasileiras, nunca atualizado. E em 1977, surgiu o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas – SNBP que foi instituído em 1992 e depois operacionalizado na Internet. O SNBP conectava vários sistemas estaduais de bibliotecas públicas do Brasil. No entanto, mesmo em 2023, o SNBP fazer parte da atual estrutura organizacional do MinC, não há indicação de responsável por sua gestão, atualização ou novas diretrizes para o mapeamento de bibliotecas no País http://snbp.cultura.gov.br/sobre/historico/.

Estes e outros motivos têm impactado o conhecimento sobre as bibliotecas no Brasil. Além disso, a falta de um censo e de um diretório atualizáveis partindo do Estado também reflete o descaso político para com as bibliotecas brasileiras.

Por um lado, a sociedade reconhece a importância de bibliotecas no seio de suas comunidades e bibliotecários são fundamentais nessa valorização. Por outro, políticas formais para leitura, livro e bibliotecas, por exemplo, exigem eficiência e qualidade desses aparelhos culturais, mas, em meio a restrições orçamentárias crescentes por parte de governantes. No entanto, vale destacar que bibliotecas, seus gestores e bibliotecários têm se mantido firmes em sua missão de atender às comunidades a que servem.

A ausência de dados completos e consistentes sobre todas as bibliotecas brasileiras também dificulta ações para a realização das premissas estabelecidas nas legislações e programas nacionais de cultura. Nessa direção, a SBB compreende que um passo significativo é o conhecimento público sobre as bibliotecas brasileiras. E isso nos parece ser um bom caminho para a promoção e desenvolvimento das bibliotecas de todos os tipos, em benefício da sociedade brasileira.

A iniciativa da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições – FEBAB – assume o compromisso de preencher muitas lacunas e empreendeu:

esforços para criar um serviço permanente de informação sobre os diferentes tipos de bibliotecas, que forneça informações qualificadas para a formulação de políticas públicas, ações programáticas, produção de estudos e diagnósticos, e geração de indicadores em âmbito nacional e que também contribua para a participação das bibliotecas brasileiras nas diferentes Seções e Grupos da IFLA e no IFLA Library Map of the World (LMW), cuja coordenação dos dados no Brasil está sob a responsabilidade da Federação“.

Uma importante tarefa da FEBAB foi a construção de uma plataforma Web de coleta, organização e disseminação de dados e informações de forma regular https://www.bibliotecas.org.br/. Esse trabalho se baseia na colaboração de todos os bibliotecários e gestores de bibliotecas brasileiros, de todas as regiões, para cadastrar e atualizar o que, em breve, será o maior diretório com dados consistentes de bibliotecas da América Latina.

De acordo com a FEBAB, “a plataforma Bibliotecas.Br foi concebida para mapear todas bibliotecas brasileiras, nos seus diferentes tipos: comunitárias, escolares, especiais, especializadas, governamentais , públicas e universitárias. Por meio desta plataforma será possível ter um panorama geral das bibliotecas brasileiras e conhecer onde estão situadas, como são seus espaços, quais são os recursos e serviços oferecidos por elas”.

Inspirada no Mapa da IFLA, a plataforma Bibliotecas.Br disponibilizará dados que serão atualizados constantemente, permitindo análises e séries históricas que poderão estimular projetos, programas desenvolvidos pela FEBAB e outras instituições de ensino, pesquisa e extensão, governamentais e não governamentais.

Por Eduardo Alentejo

Psicóloga lança livro para explicar para crianças o que está acontecendo após enchentes no RS

por Rodrias

Uma psicóloga chamada Sabrina Fuhr escreveu um livro infantil para ajudar as crianças a lidar com as inundações do Rio Grande do Sul. O livro, intitulado “Chuva, Chuva, Vá Embora!”, usa uma abordagem lúdica para explicar a situação para as crianças e ajudá-las a processar seus sentimentos.

O livro foi criado em resposta ao impacto emocional que as inundações tiveram sobre as crianças. Sabrina diz que muitas crianças estão com medo, ansiosas e confusas sobre o que aconteceu. O livro visa fornecer às crianças uma maneira de entender o que aconteceu e como lidar com suas emoções.

O livro usa ilustrações coloridas e linguagem simples para explicar as inundações para as crianças. Ele também inclui atividades que as crianças podem fazer para ajudá-las a lidar com seus sentimentos.

Sabrina espera que o livro seja um recurso útil para crianças, pais e educadores que estão ajudando as crianças a lidar com as inundações. Ela diz que é importante que os adultos conversem com as crianças sobre o que aconteceu e que as ajudem a se sentirem seguras e amadas.

Biblioteconomia Comparada – a mais recente contribuição italiana para esta importante área da Biblioteconomia

Por Eduardo Alentejo

BILOTTA, Anna. Principi, approcci e applicazioni della biblioteconomia comparata: una proposta per nuovi percorsi di ricerca. Firenze: Firenze University Press, 2022. Disponível em: https://library.oapen.org/handle/20.500.12657/60434. Acesso em: 5 maio 2024.

Com seu livro intitulado Principi, approcci e applicazioni della biblioteconomia comparata, a bibliotecária e professora italiana, Anna Bilotta (2022), contribui para a emancipação de uma especial área da Biblioteconomia, denominada por Biblioteconomia Comparada, por vezes, associada com o termo Biblioteconomia Internacional.

Nesse domínio científico, valiosas contribuições de muitos autores, de várias partes do mundo, consolidaram o campo de estudos comparativos e internacionais. Krüss (1971), Simsova e Mackee (1970; 1975), Foskett (1976), Abdul  Huq (1995) e Lor (2008; 2010) são alguns clássicos da área.

Anna Bilotta é doutora em ciências da documentação pela Universidade Sapienza de Roma. Ela leciona Administração e Organização de Bibliotecas na Universidade de Salerno. Estudiosa com um sólido histórico de publicações sobre gestão de bibliotecas. Sua obra oferece 104 páginas textuais que iluminam as múltiplas faces em Biblioteconomia Comparada. Admiravelmente escrito com concisão, o livro é necessário para bibliotecários e para toda a sociedade. O livro de Anna Bilotta se encontra disponível em PDF, no repositório acadêmico de acesso aberto (open access): https://library.oapen.org/handle/20.500.12657/60434

Em seu livro, Bilotta primeiro identifica as características do método comparativo nas ciências sociais e suas aplicações na Biblioteconomia. Analisa objetivos, problemas metodológicos, fases e abordagens da Biblioteconomia Comparada. No segundo capítulo, de acordo com a autora, Biblioteconomia Comparada é um campo disciplinar, ainda pouco explorado no contexto italiano, que visa examinar estruturas, serviços, práticas e funções das bibliotecas para destacar aspectos e peculiaridades num contexto definido. No capítulo terceiro, a autora relaciona diferentes realidades, analisando causas e efeitos das especificidades emergentes. Ao mesmo tempo, a autora avalia fatores que influenciam seu desenvolvimento no último capítulo. Na conclusão do estudo, a reflexão da autora é enriquecida por uma análise crítica das pesquisas comparativas italianas e estrangeiras e pela proposta de um esboço de trabalho para abordar a Biblioteconomia Comparada. Várias são as possibilidades de análises e métodos trazidos pela autora.

Uma possível aplicação da Biblioteconomia Comparada pode ser exemplificada pelo texto que publiquei em 2017. Em tempos de desastres naturais, pandemias, guerras e conflitos políticos, sociedades e seus referenciais de sua memória e cultura, como as bibliotecas, arquivos e museus, são demasiadamente afetados (Alentejo, 2015). Estudos no campo da Biblioteconomia Comparada e Internacional podem trazer luz para bibliotecários, mantenedores de bibliotecas e, claro, para toda a sociedade.

Os assuntos cobertos em Biblioteconomia Comparada podem ser, por exemplo, desde melhores práticas bibliotecárias ou informação baseada em evidências, bem como sobre prevenção de danos a acervos e a usuários, cooperação internacional, ajuda humanitária e direitos humanos ou ainda para atualizar ou desenvolver normas e protocolos de segurança para bibliotecas e seus acervos, com alcance mundial.

Bibliografia selecionada

ABDUL HUQ, A. M. World librarianship its international and comparative dimension: an annotated bibliography, 1976-1992. Academic Publishers: Michigan, 1995.

ALENTEJO, Eduardo da Silva. External issues affecting Libraries: an interaction in International and Comparative Librarianship. Qualitative and Quantitative Methods in Libraries, [S.l.], v. 5, n. 4, p. 913-925, July 2017.

FOSKETT, D.J. Comparative librarianship as a field of study: definitions and dimensions. In: ______. Reader in comparative librarianship. Englewood: Information Handling Services, 1976.

KRÜSS, Hugo Andreas. Internationale Bibliotheksarbeit, I: Von den Anfängen bis zur Zeit des Völkerbundes. In: MILKAU, Fritz. Handbuch der Bibliotekswissenschaft. zweite, vermehrte und verbesserte Auflage, herausgegeben.Wiesbaden: Otto Harrassowitz, 1961. p. 819-834.

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Base de dados Flora e Funga do Brasil – Botânica

Como Citar

Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/. Acesso em: 4 maio 2024.

Contato: floraefungadobrasil@jbrj.gov.br

No ano de 2010, o Brasil conseguiu cumprir a primeira meta estabelecida pela Estratégia Global para a Conservação de Plantas (GSPC-CDB), no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica com a publicação do Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil https://reflora.jbrj.gov.br/downloads/vol1.pdf e com o lançamento da primeira versão online da Lista de Espécies da Flora do Brasil. O projeto “Lista do Brasil”, como ficou popularmente conhecido, foi encerrado em novembro de 2015, com a publicação de cinco artigos e suas respectivas bases de dados. No início de 2016 foi lançado o projeto Flora do Brasil 2020, com o objetivo de cumprir a primeira meta estabelecida pela GSPC-CDB para 2020, com a divulgação de descrições morfológicas, chaves de identificação e ilustrações para todas as espécies de plantas, algas e fungos conhecidos para o país. Ao final de 2020 foram disponibilizadas de forma ampla e irrestrita monografias para todas as famílias de Briófitas, de Samambaias e Licófitas e de Gimnospermas nativas do Brasil, bem como as monografias para 90% das famílias de Angiospermas. Os resultados alcançados foram fruto do trabalho colaborativo de mais de 900 taxonomistas, brasileiros e estrangeiros, em uma plataforma online para a inclusão de dados dos seus grupos de especialidade. 

O projeto Flora e Funga do Brasil reconhece 52464 espécies (nativas, naturalizadas e cultivadas), sendo 5043 de Algas, 1617 de Briófitas, 1412 de Samambaias e Licófitas, 121 de Gimnospermas, 36079 de Angiospermas e 8192 de Fungos.

Marcelle Beaudiquez: uma bibliotecária visionária e universal

Após uma carreira inicial na educação como professora, Marcelle Beaudiquez (1943-2019) ingressou na Biblioteca Nacional em 1970 no departamento de Impressos.

A bibliografia acabou se tornando a área de atuação de Marcelle Beaudiquez que trabalhou na Sala de Catálogos e Bibliografias localizada na sala Labrouste do site Richelieu da Biblioteca Nacional da França. Para muitos bibliotecários, seu nome permanece especialmente ligado aos manuais bibliográficos produzidos na continuidade do trabalho da bibliotecária universalista e professora Louise-Noëlle Malclès.

Na Bibliothèque nationale de France, Marcelle Beaudiquez dirigiu o Centro de Coordenação Bibliográfica e Técnica antes de se tornar a atual Direção de Serviços e Redes (DSR). A maior parte da sua carreira foi dedicada à pesquisa, ao registo bibliográficos e à sua distribuição por meio de serviços bibliográficos (bibliografia nacional, catálogos informatizados locais ou coletivos, produtos bibliográficos para bibliotecas). Mas a sua gestão também foi responsável pela entrada de documentos através da gestão do depósito legal, do departamento de conservação e da criação da biblioteca digital Gallica https://bnf.hypotheses.org/8387.

Marcelle Beaudiquez foi uma defensora das Bibliotecas Nacionais, Agências Bibliográficas Nacionais e da Bibliografia Nacional Corrente. À luz do programa Controle Bibliográfico Universal (CBU), ela foi uma universalista fervorosa, quer dizer, defendeu acima de tudo a ética profissional, os direitos humanos e acesso universal ao conhecimento, livre de barreiras, censura e exclusão digital.

Ao elaborar um ensaio de bibliografia das publicações de Marcelle Beaudiquez, o bibliógrafo francês Olivier Jacquot registrou: “Como podemos homenagear os bibliógrafos senão produzindo sua bibliografia?” Essa bibliografia em constante atualização está disponível em: https://bnf.hypotheses.org/8423.

Nós da SBB, gostaríamos de expressar nossa admiração à Marcelle Beaudiquez e a todas as grandes bibliotecárias que, ao passarem por nossas vidas, vão nos deixando exemplos do trabalho universalista que sustenta a Biblioteconomia, a Bibliografia e a Documentação.