In honor of March, National Librarian Month in Brazil, the Brazilian Society of Librarians (SBB) is helping to promote the journal “The Papers of the Bibliographical Society of America”.
Here are some of the key titles available in the new issue:
“Shakespeare by Touch: Tactile Reading and N. B. Kneass Jr.’s Merchant of Venice (1870)” by Taylor Hare “Black Bibliography: The Publication History of The Adventures and Escape of Moses Roper, from American Slavery, 1837-1849” by Bruce E. Baker and Fionnghuala Sweeney “Historical Shelfmarks & Institutional Provenance Research: Reconstructing the University of Virginia’s Rotunda Library” by Samuel V. Lemley, Neal D. Curtis, and Madeline Zehnder
12 de março é uma data especial para celebrarmos o Dia do Bibliotecário, profissional fundamental para a organização, preservação e democratização do conhecimento. A data homenageia Manoel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário concursado do Brasil, nascido em 12 de março de 1882.
Bastos Tigre era um bibliotecário de múltiplos talentos: jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário, engenheiro e bibliotecário. Em 1915, prestou concurso para Bibliotecário do Museu Nacional com uma tese sobre a Classificação Decimal, e posteriormente, dedicou mais de 20 anos à Biblioteca Central da Universidade do Brasil. Ao longo de seus 40 anos de carreira, contribuiu significativamente para o desenvolvimento da biblioteconomia no país.
Parabéns a todos os bibliotecários! Sua paixão pelo conhecimento e dedicação à organização da informação inspiram e transformam vidas. Vocês são peças fundamentais na construção de uma sociedade mais justa e informada.
A Sociedade Bibliográfica Brasileira (SBB) sabe que a visibilidade no Google é crucial para o sucesso de qualquer empresa no mundo digital.
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O formato Vancouver é um sistema de referências bibliográficas que é amplamente utilizado em publicações científicas, médicas e de saúde. Ele é caracterizado pelo uso de números arábicos para identificar as referências no texto e por uma lista de referências numeradas no final do trabalho. O estilo foi criado em 1978, durante uma conferência do Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (ICMJE), em Vancouver, Canadá.
A conferência foi organizada para discutir a necessidade de padronizar o sistema de referências bibliográficas em publicações médicas, contando com a participação de editores de revistas médicas, bibliotecários e pesquisadores de todo o mundo. No evento, os participantes discutiram as vantagens e desvantagens de diferentes sistemas de referências bibliográficas e chegaram a um consenso sobre a adoção de um novo sistema, que foi chamado de formato Vancouver.
O formato Vancouver foi adotado por um grande número de revistas médicas e científicas em todo o mundo. Ele é considerado um sistema de referência fácil de usar e bastante preciso.
Este é o manual do ICMJE para a preparação, redação, edição e publicação de trabalhos acadêmicos em periódicos médicos. Ele contém as diretrizes para formatar referências bibliográficas no formato Vancouver.
É com grande satisfação que trazemos hoje uma entrevista exclusiva com o fundador da Sociedade Bibliográfica Brasileira (SBB), o renomado professor doutor Eduardo Alentejo. Com uma trajetória marcada por sua atuação no Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o Prof. Dr. Alentejo compartilhará conosco sua visão sobre a criação da SBB, seus objetivos e desafios, além de suas expectativas para o futuro da sociedade.
Acompanhe essa conversa enriquecedora sobre biblioteconomia, ciência da informação e os esforços da SBB para promover o conhecimento e a reflexão no Brasil.
Cordialmente, Rodrias.
Prezado Rodrigo,
Uma oportunidade ímpar que você me proporciona, desde já muito obrigado.
Começaremos falando sobre a Sociedade Bibliográfica Brasileira (SBB). Você pode nos contar como surgiu a ideia de criar a SBB?
Sempre foi um sonho que alimentei desde a minha graduação e que ganhou força com a histórias de institutos de bibliografia e documentação como a britânica Bibliographical Society, fundada em 1892, o Instituto Internacional de Bibliografia, Bruxelas, em 1893 e o Centre de Synthèse Historique, na França em 1934. Mas, foi em 2016 que descobri o empreendimento de Félix Ferreira que na reforma da Bibliotheca Fluminense criou a Sociedade Bibliographica Brazileira, em 1886 cuja divulgação foi feita por muitos jornais do Rio de Janeiro e de outros estados. Algo inédito na história desses institutos principalmente porque previa o estímulo da leitura para todos de autores brasileiros. Para mim, uma inspiração que merecia ser resgatada.
Você disse em uma entrevista que a SBB tem como objetivo “promover a reflexão e a discussão sobre a biblioteconomia e a ciência da informação no Brasil”. Como a SBB pretende alcançar esse objetivo?
Primeiro, vale destacar que como pesquisador na área, tenho observado uma polifonia acerca de fundamentos e conceitos acerca dos vários domínios da biblioteconomia. A primeira delas é resultado do internacionalismo, caracterizado pelo bibliotecário sul-africano Peter Lor como influência de um país sobre outros. Por exemplo, a associação entre biblioteconomia e ciência da informação é um termo natural adotado nos Estados Unidos – Information and Library Sciences – sim, ciências no plural – e maior do que essa influência, temos o fenômeno da Ciência da Informação no Brasil apresentada ora como termo substitutivo da Biblioteconomia ora como disciplina ou metaciência da qual alguns situam a biblioteconomia. Esse internacionalismo acabou, ao menos nos cursos de graduação em biblioteconomia, reescrevendo a história do desenvolvimento do conhecimento por meio da biblioteca, do livro, do catálogo, da bibliografia, impondo-lhe a circunstância de algo que pertence a grande área desenvolvida pelos norte-americanos, a tal ciência da informação como entendimento que buscou suplantar a Documentação dos belgas Otlet e La Fontaine – intenção bem sucedida no próprio EUA e em países cujos problemas de educação, biblioteca e analfabetismo, por exemplo, são sistêmicos, como é o caso do Brasil. Depois de esclarecer isso, posso dizer que os objetivos da SBB para as comunidades de informação é contar histórias sobre o desenvolvimento do conhecimento por meio dos documentos, da bibliografia e claro, das bibliotecas e outros centros de cultura. Além disso, publicar artigos e livros que possam ser relevantes para apresentar a ordem e clareza das coisas, afinal, ao olhar a segunda lei da termodinâmica, a entropia reside no futuro. Temos que atuar já, agora.
A SBB tem uma série de atividades e iniciativas que contribuem para o seu objetivo. Quais são essas atividades e iniciativas?
Tal como ocorreu com a primeira SBB, de Félix Ferreira, a SBB se deteve em muitos planejamentos para atividades e publicações por falta de orçamento e restrições orçamentárias advindas do setor público, federal, estadual e municipal, que impediram o avanço de muitas de suas ações. Em 2023, tinha-se a expectativa de que, por meio de editais ou chamadas de bolsas de agências de fomento, conseguiria ter os recursos suficientes para colocar em prática:
1) constituição de revista eletrônica científica para a bibliografia e documentação;
2) editora de e-book para publicações do selo SBB;
3) instituir e manter a bibliografia corrente on-line especializada para a área;
4) instituir um congresso anual e nacional para apreciar o estado da arte da produção e profissão de bibliotecários e bibliógrafos;
5) criar cursos profissionalizantes em bibliografia, intelectual e material.
A despeito das dificuldades financeiras que foram ampliadas em 2023, conseguimos, por enquanto, atingir o segundo objetivo, já temos algumas publicações sob o selo SBB. Obviamente, uma tentativa de superar tais dificuldades é oferecer serviços e produtos bibliográficos cujos lucros poderiam ser aplicados para o engajamento dos demais objetivos.
O blog da SBB é um espaço importante para a divulgação de informações sobre a biblioteconomia e a ciência da informação. Como você avalia o desempenho do blog da SBB?
O blog é um canal de comunicação com a sociedade. A SBB se configura como um espaço para todos no sentido de que o resultado do trabalho bibliográfico é para aproveitamento da sociedade, de sua variedade e multiculturalidade. É pensar que a bibliografia e a documentação não são áreas subjugadas ao formalismo da Biblioteconomia e à Ciência da Informação, compreendidas como áreas acadêmicas que envolvem diplomação. É dizer, com isso, que qualquer pessoa é capaz de produzir informação por meio do trabalho bibliográfico para várias finalidades, tais como: atender à comunidade de prática a qual o sujeito pertence ou mesmo ao infoempreenderorismo que para a SBB é a capacidade de desenvolver rendas por meio dos conhecimentos seculares da bibliografia e documentação. Talvez seja essa a razão de o blog ser consumido também por pessoas comuns, não ligadas à academia.
Você também é autor de vários livros e artigos sobre biblioteconomia e ciência da informação. Como a sua produção científica contribui para o desenvolvimento dessas áreas?
Creio que o pouco que escrevi é fruto da reflexão em desenvolvimento sobre a história do desenvolvimento do conhecimento, do livro e documentos, das tecnologias intelectuais e bibliotecas. Isso demonstra a força que a bibliografia e a documentação exercem para os progressos e memórias dos saberes, constituindo-se, assim, como as ciências reais. Bibliografia e Documentação são ciências sociais que têm sustentado as comunidades de pesquisa pelos seus efeitos de controle da informação, continuidade do conhecimento registrado e garantia de seu acesso pelas futuras gerações.
Como a SBB pretende se relacionar com outras organizações e instituições relacionadas à biblioteconomia e à ciência da informação?
A cooperação é uma característica que está na gênese do trabalho bibliotecário e é a genética do bibliotecário. Algo observável desde Cleópatra à Documentação do Século XIX, desde as várias iniciativas de associação bibliotecária no início do Século XX aos Princípios de Paris em 1961 e desde o surgimento do formato MARC ao Programa de Controle Bibliográfico Universal, da IFLa/Unesco em 1977. Em qualquer época da história do conhecimento, a cooperação é a base destes e de tantos outros empreendimentos que se traduzem num fenômeno social nato ao trabalho bibliográfico: universalização do conhecimento. Na Era Digital, essa vocação se torna estreita e exige um relacionamento em busca da transferência tecnológica, da cooperação técnica e do intercâmbio da informação bibliográfica, livre de barreiras. Estas são as características que sustentam o relacionamento da SBB com outras instituições de ciência, memória, cultura, educação e empreendedorismo.
Quais são os desafios e oportunidades que a SBB enfrenta no Brasil atual?
Internamente, como observei acima, as dificuldades financeiras por falta de investimentos públicos, diminuição gradativa de editais e limitações de bolsas de pesquisa e de estudo são elementos acentuados no ano de 2023. Externamente, os desafios estão relacionados aos problemas de educação, analfabetismo, falta de perspectivas de futuro para jovens, como o primeiro emprego, acesso à memória cultural nacional e as restrições orçamentárias – públicas e privadas – para a educação e bibliotecas. Vale ressaltar que essas dificuldades não se configuram em desânimo ou impedimento para que a SBB busque, no que couber, atender à sociedade.
O que o professor Alentejo espera que a SBB alcance nos próximos 10 anos?
Eu espero que a SBB alcance essa longevidade e que continue a despeito de eu estar aqui. Espero que as gerações futuras mantenham a SBB de pé, atuante e que tenham a garra necessária para dar sua continuidade e a melhore, sempre.
Por fim, gostaria de lhe perguntar sobre o futuro da SBB. Quais são as suas expectativas para a SBB nos próximos anos?
O futuro da SBB é incerto, no futuro reside a entropia e a desordem das coisas. No entanto, como fatalidade, a universalização do conhecimento foi iniciada, é irreversível e um dia se cumprirá para a humanidade, espero que a SBB esteja lá para ser testemunha desse destino inexorável da humanidade: universalização do conhecimento.
A SBB compartilha com vocês uma excelente fonte de informações sobre a História da Medicina: a bibliografia da Biblioteca do Centro de História da Universidade de Nova York (NYU).
A bibliografia inclui livros, artigos, dissertações e outros materiais, divididos em várias categorias, incluindo história geral da medicina, história da medicina no Brasil e história da medicina em outras regiões.
A bibliografia é uma ferramenta valiosa para pesquisadores, estudantes e profissionais da área da saúde.
Bibliotecas e arquivos foram as primeiras fontes de informação para o processo civilizatório e para o desenvolvimento do pensamento científico, humanístico e cultural. Elas foram e continuam sendo fundamentais para o progresso humano. Na história da humanidade, muitas bibliotecas foram destruídas por vários motivos, dentre os quais, calar a boca de bibliotecários, bibliógrafos e da sociedade, impondo, no fim das contas, censura pré e pós coordenada. Peter Lor (2008), especialista em Biblioteconomia Internacional e comparada e na história das bibliotecas, defende que uma das maiores ameaças ao avanço do conhecimento e do progresso das bibliotecas é a censura imposta pelo Estado. A literatura científica aponta uma série desses casos e, junto a ela, há outra rica literatura sobre trabalhos que defendem a liberdade de expressão. É nesse debate científico que a SBB confere o direito de liberdade de expressão, cabendo às devidas ações conforme a legislação civil e penal em suas devidas providências às instituições de Direito executar os procedimentos legais quando as normas de ética, moral e das leis forem descumpridas. Nesse sentido, a SBB se posiciona CONTRA a PL 2630/20 por entender que a sociedade pode ter perdas imensas decorrentes de censuras que podem vir a acometer o direito ao livre pensamento, base fundamental para a pesquisa, arte, cultura e ciência, direito essencialmente humanista, base da profissão do bibliotecário no Brasil e em qualquer Estado democrático.
Abaixo, deixamos algumas referências:
ARENDT, Hannah. Homens em tempos sombrios. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
______. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
______. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
BOBBIO, Norberto. Liberalismo e democracia. São Paulo: Edipro, 2017.
BOUDREAUX, Donald J. Menos Estado e mais liberdade: o essencial do pensamento de F. A. Hayek. Barueri: Faro Editorial, 2017.
BURKE, Edmund. Reflexões sobre a revolução na França. São Paulo: Edipro, 2016.
CHÂTELET, François (Org.). Histoire des ideologies: savoir et pouvir du XVIIIe au XXe siècle. Paris: Hachette, 1978.
DARNTON, Robert. Censores em ação: como os Estados influenciaram a literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
FRIEDMAN, Milton; FRIEDMAN, Rose. Livre para escolher. Rio de Janeiro: Record, 2016.
HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública. São Paulo: UNESP, 2014.
JEDLOWSKI, Paolo. Memória e a mídia: uma perspectiva sociológica. In: SÁ, Celso Pereira de (Org.). Memória, imaginário e representações sociais. Rio de Janeiro: Ed. Museu da República, 2005.
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
LIICEANU, Gabriel. Da mentira. São Paulo: Vide Editorial, 2014.
LIPPMANN, Walter. Opinião pública. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.
MALINOWSKI, Bronislaw. Freedom and civilization. Nova York: Roy Publishers, 1994.
MENEZES, Djacir. Idéias contra ideologias: a revolução silenciosa nas universidades e a ramificação de suas teses. Rio de Janeiro: UFRJ, 1971.
NOELLE-NEUMAN, Elisabeth. A espiral do silêncio: opinião pública: nosso tecido social. Florianópolis: Estudos Nacionais, 2017.
SAKHAROV, Andrei D. Meu país e o mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.
_____. Progresso, coexistência e liberdade intelectual. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1976.
TOCQUEVILLE, Alexis. O antigo regime e a revolução. São Paulo: Edipro, 2017.
TODOROV, Tzvetan. Los abusos de la memoria. Buenos Aires: Paidós, 2000.
“Correndo o risco de parecer sério demais, acrescentarei sete mandamentos aos bibliógrafos:
1. Seja honrado, e pense bem em sua vocação;
2. Seja humilde, e não despreze os detalhes;
3. Seja preciso, em pequenas e em grandes coisas;
4. Seja breve;
5. Seja claro;
6. Não tome nada por confiança, exceto em caso de necessidade, e mesmo assim, não sem dizer isso. Tem havido muitos bibliógrafos ruins e errar é humano;
7. Nunca adivinhe. Esteja certo de que será descoberto, e então você estará inscrito como um dos maus bibliógrafos, do que não há destino mais terrível”.