A renomada revista peruana Revista Otlet apresenta sua edição especial dedicada à região de Abya Yala, denominação ancestral da América Latina. Esta edição, a número 34 do ano 6 (2024), está repleta de conteúdo empolgante para bibliotecários, cientistas da informação e apaixonados pela cultura.
O que você encontrará nesta edição especial?
Uma análise crítica da bibliotecologia: A revista convida à reflexão sobre a necessidade de uma bibliotecologia específica da região, com artigos como “Desde cuándo pensamos una bibliotecología desde Abya Yala?”.
Entrevistas exclusivas: Conheça o pensamento de especialistas como Franciéle Garcês sobre “Bibliotecología negra y teoría crítica racial” e Elías Rengifo, “un hacedor de palabras hecha vida”.
Diversas perspectivas: Explore temas como bibliotecas e cartografia social, cultura da paz e a biblioteca como espaço para a memória coletiva.
Experiências inspiradoras: Descubra projetos como “Rioverde está leyendo”, que promove a leitura em áreas com acesso limitado.
Reflexões sobre desafios atuais: Aprenda como abordar a violência de gênero e resistir ao “despojo violento da palavra” no âmbito da bibliotecologia.
Além disso, a edição especial inclui resenhas de livros, perfis de profissionais de destaque e um espaço para conhecer Mirtha Quispe Sayago através do “Pimpón de Otlet”.
Não perca esta edição especial da Revista Otlet, um tributo à rica cultura e ao pensamento bibliotecário de Abya Yala!
Un agradecimiento especial al editor César Chumbiauca: Queremos agradecer al editor de Revista Otlet, César Chumbiauca, por su receptividad y entusiasmo con esta alianza. Su visión crítica y su compromiso con la biblioteconomía inspiran nuestro trabajo. ¡Seguimos juntos en la construcción de una bibliotecología más justa, inclusiva y transformadora!
Com grande entusiasmo, a Sociedade Brasileira de Biblioteconomia (SBB) anuncia uma nova e significativa parceria com a prestigiada Asian Library Association (ASIALA). Essa colaboração representa um passo importante na promoção da bibliografia e na construção de conexões em escala global.
Sobre a SBB:
Fundada em 2016, a SBB é uma organização dinâmica dedicada a promover a bibliografia como pilar fundamental do progresso científico. Nossa comunidade vibrante de profissionais, pesquisadores, bibliotecários, historiadores e administradores colabora em estudos e projetos que elevam continuamente o campo no Brasil.
Uma Parceria de Benefícios Mútuos:
Essa parceria permitirá à SBB apresentar o trabalho valioso da ASIALA à nossa extensa rede brasileira. Em troca, a SBB visa contribuir para o alcance e influência global da ASIALA. Através de iniciativas conjuntas e intercâmbio de conhecimentos, essa colaboração promete ser uma força motriz para o avanço da bibliografia em todo o mundo.
We extend our deepest gratitude to Dr. Sanjeev Kumar, Secretary General of ASIALA, for his warm reception and enthusiasm for this partnership. His vision and commitment to bibliography inspire and guide our work.
Entre os anos 1920 e 1970, muitos inventários do folclore brasileiro foram tecidos. Maria Amália Corrêa Giffoni, Franklin Cascaes, Oneida Alvarenga, Mário de Andrade, Arthur Ramos, Maria Conceição Vicente de Carvalho, Luís Cristóvão dos Santos, Luís da Câmara Cascudo, Gustavo Barroso, Saul Alves Martins são alguns nomes de folcloristas que revelaram nossa riqueza cultural e cujos estudos foram imortalizados em sucessivas bibliografias, tais como: Bibliografia do folclore brasileiro (Nascimento, 1971), Bibliografia do folclore brasileiro (Colonelli, 1979) e O folclore no Brasil (Magalhães, 2019).
Mas o que se pode compreender por folclore brasileiro espelha conjuntos de fenômenos socioculturais conexos à formação do País e que abarcam muitos elementos: geografias, migrações, origens, interações, contextos, linguagens, folguedos, manifestações, saberes etc. Uma breve consulta às bibliografias supracitadas nos permite dimensionar que a natural formação multicultural do Brasil baliza nosso sentimento de pertencimento nacional.
Aqui, pondero que natural tem o sentido de interações, embates e trocas sociais ocorridas ao longo do tempo, cujos pontos de origem são difíceis de serem rastreados e se opõe à ideia de artificial da qual grupos humanos são intencionalmente introduzidos em uma dada localidade com vistas a se obter resultados multiculturais.
Se por um lado, identidades e saberes tradicionais resistem aos tempos de desapropriação cultural, por outro, agendas estrangeiras lhes buscam rapinar saberes, aforando-lhes esquecimentos no lugar de memórias, principalmente, por meio da aculturação em massa, fenômeno que se diferencia da dinâmica da cultura (Santos, 2009). Para compreender este e outros fenômenos acerca da cultura, recomendo a leitura do livro O que é cultura (Santos, 2009) da Coleção Primeiros Passos.
Mas quais atividades as comunidades tradicionais hoje podem desempenhar para se contrapor às forças de desapropriação de suas tradições? Quais aparelhos culturais lhes apoiam? Em localidades onde as manifestações populares são evidentes, aparelhos culturais como bibliotecas e atividades como turismo costumam oferecer apoios para as comunidades.
Bibliotecas são janelas para o mundo, espaços de comunicação social, de descobertas e tal como ocorre com o folclore, são constituídas de redes de cooperação capazes de provocar mudanças no seio da sociedade. No decorrer do tempo, bibliotecas brasileiras desenvolveram competência cultural, isto é, a capacidade de refletir, apoiar e promover a diversidade cultural e linguística de uma região ou nação (Hanley, 1999), tornando-se espaços de diálogos multiculturais para a cidadania ativa (Alentejo; Señorans; Matos, 2018). Como as bibliotecas devem atender a diversos interesses humanos em suas comunidades, elas funcionam como centros de aprendizado, cultura e informação (IFLA/UNESCO…, [2019]).
Ao representar a diversidade cultural, serviços bibliotecários são impulsionados pelo seu compromisso com os princípios de liberdades fundamentais, de igualdade de acesso à informação e ao conhecimento para todos, no respeito pelos valores sociais das comunidades que atendem (IFLA/UNESCO…, [2019]).
Em 2024, é urgente saber, com profundidade, como as bibliotecas brasileiras estão colocando em prática esse compromisso. Um exemplo pode ser destacado. Em 2021, em uma cidade rural do Estado do Rio de Janeiro, testemunhei que uma associação de artesãs em colaboração com a biblioteca distrital teceram uma bibliografia sobre artesanato tradicional visando atender às consultas da comunidade.
Quando se olha a história das bibliografias, pode-se inferir que o caminho da organização do conhecimento tem seu percurso do local para o nacional e deste para o internacional; rumo à universalidade do conhecimento.
E com o atual estágio de desenvolvimento da Internet, isso está mais evidente. Os versionamentos Web têm sido aplicados para descobertas de localidades, suas culturas, meio ambiente e saberes. As facilidades da Internet permitem tirar comunidades tradicionais das sombras para a visibilidade, com alcance mundial. E acompanhando a essas oportunidades, bibliotecas e outros aparelhos culturais também vão sendo divulgados na Web.
Sob os mesmos preceitos de direitos humanos, competência cultural e sustentabilidade que os guiam, o turismo e a informação turística na Web têm oferecido vantagens para as pessoas encontrarem as diversidades culturais, possibilitando aos internautas explorarem oportunidades de viagens. Por meio de plataformas digitais e recursos de localização, nunca foi tão fácil buscar e acessar informações sobre destinos e viagens.
De certo, há vários canais e perfis nas plataformas digitais que oferecem serviços de informação em turismo, como são os inúmeros exemplos encontrados sobre turismo rural e ecológico – também denominado como ecoturismo (Brasil, 2010), constituindo-se como guias de viagens assim como sítios Web especializados.
Vale destacar que entre 1965 e 2014, o Guia 4 Rodas, publicado pela Editora Abril, exercia a função de guia de viagens, impresso, para viajantes motorizados com indicações de hotéis, restaurantes, rodovias, passeios, escolas, parques, hospitais e outros pontos de referências como festividades e eventos populares (Mazolla, 2014) e por todo esse período foi o guia de referência para viajantes.
Recentemente, descobri o canal Boa sorte viajantes, https://www.youtube.com/@BoaSorteViajante, na plataforma YouTube, por meio de seu vídeo intitulado Milho Verde, um charmoso vilarejo de Minas Gerais! (MILHO verde… 2023). O que aprendi? Milho verde é um povoado localizado na Serra do Espinhaço, entre as cidades históricas de Serro e Diamantina, na região do Alto Jequitinhonha, Minas Gerais; local de nascimento de Xica da Silva e tem o turismo como a principal atividade econômica. Recentemente foi fundada a casa dos livros Sempre-Viva Editorial (MILHO verde… 2023).
No vídeo, aos onze minutos, há um depoimento de uma das moradoras, de origem quilombola (Quilombo do Baú): depois de quarenta anos no povoado, o turismo melhorou sua vida e da comunidade. Antes, ao contrário, passava-se fome e escassez.
O título Comida com histórias, com lembranças é uma frase dita pelo mentor do canal no YouTube durante sua interação com a moradora. Essa frase foi escolhida para este artigo exatamente porque expressa a mensagem que destaco: acessar à cultura do outro por meio de suas manifestações e memórias nos permite também compartilhar as nossas. No Brasil multicultural, cultura e comunicação devem acontecer em mão-dupla.
De acordo com a segunda edição sobre turismo rural, emitido pelo Ministério do Turismo (Brasil, 2010, p. 11), o turismo rural e ecológico tem papel de sustentabilidade importante para as comunidades locais:
[…] a sociedade vem descobrindo a importância ambiental e o valor estratégico de manutenção da paisagem rural, e passa a tratar rios, fauna e flora como elementos essenciais para o ser humano. Este contexto tem propiciado a revalorização do modo de vida e o surgimento de novas funções econômicas, sociais e ambientais para o espaço rural, permitindo ao agricultor novas maneiras de garantir sua permanência no campo.
Quando aparelhos culturais e turismo são instituídos numa localidade, como em Milho Verde, tornam-se aliados para as estratégias de organização das comunidades. Para tanto, saneamento básico, saúde primária e cidadania devem lhes anteceder e acompanhar (Brasil, 2020). Se o turismo baseado em sustentabilidade tem o poder de transformar vidas, orientando-se pela competência cultural, bibliotecas são espaços sociais por onde organizações de pessoas tem a possibilidade de articular estratégias de enfrentamento à cultura de massa.
Diante das manifestações culturais locais, principalmente, em áreas rurais e ecológicas, turismo e biblioteca costumam apoiar o desenvolvimento das cidades e povoados interioranos e insulares, por exemplo; tornando-se, desse modo, instituições de pertencimento público e espaços de integração entre moradores e visitantes.
Municípios sem bibliotecas ou com seu número insuficiente são susceptíveis à corrupção de seus governantes e, como consequência, sua população estará entregue à miséria, à fome e à limitação de direitos humanos e cidadania. E ao contrário do que foi reportado sobre a declaração da ministra do Meio Ambiente em DAVOS, de que 120 milhões de pessoas passam fome no Brasil (Guzzo, 2023), penso que a medida de miséria no Brasil deveria ser dimensionada pela quantidade de bibliotecas e o quanto o turismo sustentável é estimulado e contribui para as comunidades e ecologia dos saberes tradicionais.
Afeto, resiliência e união das comunidades são energias potenciais para mudar realidades por meio de estratégias de organização, de memórias, identidades e conhecimento divulgado. Bibliotecas e Turismo são aliados que nos ofertam oportunidades com histórias, com lembranças, tanto para quem fica como para quem vai.
Referências
ALENTEJO, Eduardo; SEÑORANS, Rodrigo; MATOS, Elesbão. Multicultural libraries: diversity is our strength. QQML Journal, [S.l.], v. 7, n. 1, p. 15-22, 2018. Disponível em: https://qqml-journal.net/index.php/qqml/article/view/453. Acesso em: 4 jun. 2024.
COLONELLI, Cristina Argenton. Bibliografia do folclore brasileiro. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1979. 294 p. (Col. Folclore, n. 19).
MILHO verde, um charmoso vilarejo de Minas Gerais! Direção e produção: Matheus Boa Sorte. 1 vídeo on-line (ca. 28 min), 2023. Disponível em: https://youtu.be/UoFlL8jbJ08?si=Ll3Vz8AwGXNFO6TH. Acesso em: 2 jun. 2024.
NASCIMENTO, Braulio do (org.). Bibliografia do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Divisão de Publicações e Divulgação, 1971. 353 p.
SANTOS, José Luiz dos. O que é cultura. São Paulo: Brasiliense, 2009. 89 p.
Como citar esse artigo:
ALENTEJO, Eduardo. Comida com histórias, com lembranças… Rio de Janeiro: SBB, 2024. Disponível em: . Acesso em: 4 jun. 2024.
Desastres naturais assim como doenças, conflitos e guerras acompanham a humanidade. O grande dilúvio reportado pela Bíblia é uma das histórias mais antigas de eventos devastadores. As ciências naturais revelam outros que foram e continuam capazes de modificar nosso planeta em sucessivos processos de mudanças climáticas e geológicas. Ao longo da história, muitas vidas foram ceifadas – vidas são frágeis, vidas importam.
Nos percursos catastróficos, continuamos carentes de informação fidedigna, de governos realmente honestos e justos. Em momentos de crises, o socorro emanado pelas próprias comunidades traduz a essência fraterna da humanidade – ainda que a crueldade se infiltre, eventualmente. Desde o dia 27 de abril de 2024, cidades do Rio Grande do Sul foram sucessivamente inundadas por chuvas torrenciais (Guimarães, 2024). Em meio a ausências de políticas suficientes de prevenção ou para rápidas respostas aos desastres, vale celebrar as vidas que foram salvas. Mas se a sociedade também é feita de memórias, como as pessoas reencontrarão seus lares, suas lembranças, seus afetos, seus amores, seus álbuns de retrato etc. diante de perdas e dores? Como reconstruir seus jardins, suas ruas, suas praças, seus arquivos, suas bibliotecas?
Os pontos que gostaríamos compartilhar com nossos leitores são: ajuda humanitária e cooperação para o desenvolvimento como primeiras respostas a estes acontecimentos. A ajuda humanitária visa aliviar os efeitos imediatos de catástrofes naturais (como enchentes e terremotos) e humanas (como guerras e conflitos violentos), sendo normalmente de pouca duração, terminando quando se dá um aliviamento da situação. A cooperação para o desenvolvimento tem finalidades de longo prazo, procurando alterar estruturas sociais e econômicas de países e regiões, de forma a combater problemas de origem bastante complexa.
Nessa postagem, trazemos um exemplo do qual grupos civis atuaram como socorristas, em ajuda humanitária e cooperação em um evento de inundação. Em 1966, o Rio Arno transbordou e a cidade de Florença, na Itália, foi devastada: os guardas municipais, bombeiros, militares e muitos cidadãos se disponibilizaram para salvar vidas que as águas do rio teimavam em levar (Oliveira, 2019).
O cineasta Franco Zeffirelli esteve na cidade na ocasião e realizou o documentário intitulado Florence: Days of Destruction, e registrou que os cidadãos lamentavam a perda de vidas e tentavam salvar o que podiam do aumento da água, do óleo usado para aquecimento e da lama.
No dia 4 de novembro, as inundações mais devastadoras da história da Itália varreram um terço do país. A mais atingida foi a cidade de Florença, com a sua arte de valor inestimável. As perdas em Florença são as piores que se pode imaginar depois das perdas de vidas humanas. Porque as imagens da nossa própria civilização estão se perdendo, afirma o apresentador e narrador Richard Burton no início do documentário. Franco Zeffirelli e eu [Richard Burton] decidimos testemunhar estes dias em Florença. […] o documentário mostra a violência repentina das enchentes, as águas subindo, expandindo, a corrente ficando mais forte, tornando-se torrencial (Florence…, 1966, transcrição e tradução nossa).
Vale destacar que monumentos, obras de arte e acervos bibliográficos foram soterrados na lama, incluindo a Biblioteca Nazionale de Florencia (Alentejo, 2023, p. 215). Nesse evento, civis tentaram amenizar os problemas causados pelas cheias, incluindo uma multidão de jovens voluntários de várias nacionalidades, chamados “os anjos da lama”, atuando desde o salvamento de pessoas quanto dos artefatos da memória artística e bibliográfica do berço do Renascimento:
As pessoas estão isoladas, encalhadas, indefesas. E então, com um esforço incrível, a vida recomeça. As pessoas ajudam-se umas às outras e depois chega ajuda de todo o mundo. A cidade está desolada, os danos são vastos e ainda incalculáveis. A grande herança artística de Florença foi devastada por suas pinturas, esculturas, livros e afrescos de valor inestimável. A Biblioteca Nacional foi invadida pela água e grande parte do seu grande acervo perdido para sempre, toda a igreja de Santa Croce foi invadida pela água e seus tesouros cobertos de lama e óleo. Centenas de pessoas trabalham dia e noite aqui em Santa Croce, diz um voluntário americano, procurando coisas, removendo, tentando salvar, cavando, limpando. Não eram mãos experientes, eram voluntários, soldados, estudantes, jovens de todo o mundo. Mas ninguém poderia ter trabalhado com mais cuidado e amor, apesar das péssimas condições, do cansaço, do cheiro de lama, do frio (Florence…, 1966, transcrição e tradução nossa).
O documentário Florence: days of destruction foi lançado menos de um mês após o desastre e teria arrecadado recursos dedicados aos esforços de reconstrução de Florença (Suesz, 2023, tradução nossa). Ao assistirmos o documentário, podemos perceber o poder das comunidades que unidas pela fraternidade envolveram outros grupos humanos nacionais e internacionais em torno da ajuda humanitária e cooperação da qual se estendeu por anos nas possibilidades de restauração de bens patrimoniais, da assistência à saúde dos sobreviventes e da recuperação da memória coletiva (1966 Florence…, 2019).
A eterna batalha contra o esquecimento do passado se iniciou desde a enchente em Florença; parcos recursos federais foram destinados à reconstrução da cidade e com isso, a constatação de que se não fossem a ajuda humanitária e a cooperação de civis unidos, vidas, suas memórias e suas culturas seriam mais afetadas pelo desprezo político dos governantes ao seu povo, a suas vidas e aos seus aparelhos culturais.
Vários planos foram propostos para resolver a situação ao longo dos 50 anos; e muitos livros foram escritos sobre as inundações, que foram adquiridos pelo centro de documentação de inundações, do CEDAF, tornando a inundação do Arno talvez uma das inundações mais bem documentadas de todos os tempos. Mas, tal como acontece com tantos perigos de inundação, com o tempo torna-se cada vez mais fácil esquecer a preparação para a próxima inundação (Suesz, 2023, tradução nossa).
Em relação ao patrimônio cultural diante do que ocorreu em Florença, a comunidade internacional se mantém atenta à segurança do patrimônio cultural universal diante de conflitos armados e desastres naturais que podem fazer desaparecer em pouco tempo os ícones culturais da civilização humana (Mattar, 2012).
Muitas convenções de alcance internacional foram formalizadas visando fornecer cobertura para proteção internacional aos bens culturais. Alentejo (2017, p. 922, tradução nossa) destacou, por exemplo: Convenção para a Proteção de Bens Culturais em Caso de Conflito Armado (Convenção de Haia, 1954), Convenção Relativa à Proteção do Patrimônio Cultural e Natural Mundial (1972) e Recomendação sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Folclore de 1989.
Em 2001, a 31ª Conferência Geral da Unesco foi impactada pelo ataque terrorista ocorrido nos Estados Unidos em 11 de setembro daquele ano, resultando na Declaração Universal da Unesco sobre Diversidade Cultural (UNESCO, 2012, não paginado, tradução nossa).que reafirmou a natureza universal dos bens culturais humanos do seguinte modo:
[…] o reconhecimento internacional de que bens e serviços culturais não devem ser considerados mercadorias ou bens de consumo. Essa afirmação parte do entendimento de que as sociedades são vetores de identidade, valores e significados, e, portanto, os direitos culturais são universais, indivisíveis e interdependentes.
Em relação às bibliotecas, sabemos que não são mais os únicos pontos de acesso à informação. No entanto, continuam a ser instituições importantes para diversas questões sociais, tais como fins culturais e educacionais e salvaguarda da memória coletiva. Nem tudo está ou estará em formato digital; nem tudo estará disponível para acesso total com base em redes digitais (Oppenheim; Smithson, 2008).
Estes fatores têm exigido constante questionamento destes equipamentos culturais procurando repensar o seu papel na sociedade atual. A literatura relata iniciativas bem-sucedidas que permitem prever um futuro brilhante para as bibliotecas. Mas, no caso de forças externas incontroláveis, como desastres naturais, tanto a sociedade como as bibliotecas tendem a sofrer o peso dos seus efeitos, com poucas oportunidades de se defenderem (Alentejo, 2017, p. 216, tradução nossa), contando somente com o poder das comunidades para ajuda humanitária e cooperação.
É preciso que todos nós contemos as histórias dessas comunidades: desde a emergência ambiental ao salvamento de vidas – fundamental e incondicional. Também devemos dar atenção aos processos de recuperação das regiões e empregos afetados, sem perdermos de vista os patrimônios culturais. No contexto das tragédias no Rio Grande do Sul, nós bibliotecários podemos contribuir de muitas formas. Por exemplo, a Escola FEBAB está com “inscrições abertas para workshops e palestras em prol dos colegas do Rio Grande do Sul”. São vários cursos e workshops on-line destinados à formação e aprimoramento técnicos na área da Biblioteconomia https://febab.org/2024/05/18/acoes-de-formacao-da-escola-febab-sos-biblioteconomia-rio-grande-do-sul/.
Os valores arrecadados serão transferidos para o Fundo de ajuda humanitária e cooperação instituído pela Associação Rio-Grande de Bibliotecários com o apoio da FEBAB. Dentre as várias oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento oferecidos, também indicamos o seguinte:
Ministrantes: Andréia Wojcicki Ruberti, Coordenadora do Laboratório de Conservação Preventiva da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. Nathalie Zavagli, Bacharel em Biblioteconomia pela USP. Estagiária do Laboratório de Conservação Preventiva da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP.
Resumo: O workshop sobre resgate de obras de acervos em emergências com água tem por objetivo apresentar técnicas de regate e primeiros socorros para obras atingidas por água de chuvas, inundações, entre outros, auxiliando profissionais que atuam em bibliotecas, arquivos e museus a resgatar e iniciar os primeiros procedimentos de salvamento e recuperação de livros, documentos, multimeios e outros suportes de informação.
“[…] nas mãos de bibliotecários, o poder é a capacidade de fazer para as nossas comunidades e, finalmente, a nossa sociedade, um lugar melhor” (Lankes, 2011, p. 80). Em nossa condição humana, a compaixão demonstrada é dever de nossa essência e motivo de nossa existência. A ética profissional nos impulsiona a fortalecer nossa profissão e a consolidar nossas atividades e bibliotecas como aparelhos culturais essenciais para nossas comunidades, principalmente àquelas atingidas pelas enchentes na região sul do Brasil. Obrigado por sua leitura.
ALENTEJO, Eduardo da Silva. External issues affecting Libraries: an interaction in International and Comparative Librarianship. QQML Journal, [Limerick], v. 5, n. 4, p. 913-925, July 2017.
FLORENCE: days of destruction. Direção: Zeffirelli Franco. Narração: Richard Burton. Roteiro: Bruno Colombo. Música: Vlad Roman. Produção: Brice Howard. Entrevista: Frederick Hartt. Roma: RAI – Radiotelevisione italiana, 1966. 1 videotape (50 min), son., P&B.
LANKES, R. David. The Atlas of New Librarianship. Cambridge: Mit Press, 2011.
MATTAR, Eliane. Legislação patrimonial. In: SILVA, Maria Celina Soares de Mello e (org.). Segurança de acervos culturais. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2012. p. 33-52.
Building a National Bibliography: Models from Around the World
Frameworks and foundations of National Bibliographies
Por Eduardo Alentejo
O primeiro Webinar da IFLA, da seção Bibliografia, ocorreu em 30 de abril de 2024. Gabriel Alves e eu apresentamos nosso trabalho intitulado Current Brazilian Bibliography in the Digital Era – Bibliografia Brasileira Corrente na Era Digital. Quatro apresentações, incluindo a nossa, foram escolhidas pelo comitê de avaliação da IFLA por entenderem as contribuições que cada trabalho provia para garantir a qualidade do tema Marcos e fundamentos das Bibliografias Nacionais (tradução nossa) https://www.ifla.org/events/webinar-building-a-national-bibliography-models-from-around-the-world-registration/.
Nesta oportunidade, nós abordamos os elementos fundadores para a transformação disruptiva desenvolvida pela nossa Agência Bibliográfica Nacional que organiza e disponibiliza os registros bibliográficos oficiais de nossa bibliografia corrente e com economia de energia e recursos.
Destes elementos, destaco aqui o desenvolvimento do Formato CALCO de catalogação legível por computador que proporcionar uma ampla rede de cooperação em catalogação que foi denominada BIBLIODATA e liderada pela Fundação Biblioteca Nacional. Outro elemento destacado foi com a concepção da BNDigital, versão digital da Biblioteca Nacional Brasileira cujo portal oferece a oportunidade de acessar dados bibliográficos do catálogo on-line bem como da bibliografia brasileira.
Também destacamos a arquitetura do atual sistema de controle bibliográfico brasileiro. As possibilidades de padronização bibliográfica somadas às tecnologias de transmissão e compartilhamento de informações por meio de protocolos e formatos caracterizam o modelo brasileiro vigente do controle bibliográfico nacional.
Nosso leitor, poderá assistir ao vídeo com a apresentação no trabalho:
Concluímos que a produção, organização e divulgação da bibliografia brasileira, a cargo da Fundação Biblioteca Nacional, apresenta um modelo distinto de muitos países. Primeiro porque na mesma interface de buscas e recuperação da informação é possível realizar pesquisas em ambos os produtos – catálogos e bibliografia nacional; segundo porque a aplicação de tecnologias, de modo inovador, permite o acesso universal aos registros bibliográficos, livres de barreiras e de acesso gratuito seja por máquinas convencionais ou telefonia móvel na Web.
A participação da SBB foi importante para dar visibilidade a um tema pouco explorado nos meios de comunicação científica no País. Além disso, a SBB celebrou nossa Biblioteca Nacional, seus profissionais e a sociedade brasileira. Somos muito gratos à IFLA por esta oportunidade.
Deixamos aqui á disposição dos interessados os slides que apresentamos para consultas, lembrando que destaques de nosso texto devem ser devidamente citados.
A Biblioteca de Alexandria renasceu em outubro de 2002 para recuperar o manto de seu antigo homônimo.
Não é apenas um edifício de extraordinária beleza; ela também é um vasto complexo onde a arte, história, filosofia e ciência vêm juntos. Além disso, as inúmeras atividades que oferece fizeram-lhe um lugar aberto para a discussão, diálogo e entendimento https://www.bibalex.org/en/default.
O horizonte imperial da antiga Biblioteca de Alexandria rapidamente se expandiu para um escopo universal, tal como se refletia em sua coleção de livros para além do reino de seus governantes.
No Século III, a.C., por ordem de Ptolomeu Philadelphus, o poeta e bibliotecário Callimachus em Alexandria compilou o catálogo com as mais importantes obras da Biblioteca chamado Pinakes, ordenado com 120 assuntos.
Graças à imprensa de Gutenberg, a ideia de conhecimento universal trazida pela Biblioteca de Alexandria foi difundida pelo poder do livro impresso e, desde o final da Idade Média, encontrou expressão também em ideais de uma bibliografia universal, como a obra Bibliotheca universalis de Conrad Gesner, de 1545.
O ideal de universalização do conhecimento foi intensificado no Século XIX, com o Répertoire bibliographique universele de Paul Otlet e Henry La Fontaine, refletindo-se, por exemplo, em acordos internacionais formais para o intercâmbio de publicações entre instituições de diferentes países.
A Nova Biblioteca de Alexandria dedica-se a recuperar o espírito de abertura e erudição da Bibliotheca Alexandrina original. É muito mais que uma biblioteca.
Essa concepção está alicerçada pilares universalistas. O papel único da Biblioteca de Alexandrina centra-se em quatro aspectos principais, que procuram recapturar o espírito original da antiga Biblioteca de Alexandria. A nova Biblioteca de Alexandria aspira ser:
A janela do mundo para o Egito. A janela do Egito para o mundo. Uma instituição líder da era digital. Um centro de aprendizagem, tolerância, diálogo e compreensão.
Além de integrar museus, bibliotecas universitárias e de arte do país, sua estrutura organizacional é composta por: a Biblioteca Principal (que pode conter até milhões de livros) e suas bibliotecas afiliadas: a Biblioteca Francófona, a Biblioteca Depositária e a Biblioteca de Mapas https://youtu.be/nwaBKZoWVgs?si=FulYut24RETfirnZ.
Também integra, desenvolve e administra seis bibliotecas especializadas:
A Biblioteca de Artes e Multimídia A Biblioteca Taha Hussein para deficientes visuais A Biblioteca Infantil A Biblioteca dos Jovens A seção de troca e arquivo Biblioteca de livros raros e coleções especiais
A Biblioteca Alexandrina pretende ser: um centro de excelência na produção e difusão de conhecimento e ser um local de diálogo, aprendizagem e compreensão entre culturas e povos https://www.bibalex.org/en/Page/About.
Uma biblioteca nacional é criada por um determinado governo de uma nação para servir como repositório preeminente de informações, memória e patrimônio bibliográfico nacional, refletindo a história e cultura nacionais de seu povo.
Na voz da Federação Internacional de Associações e Instituições de Bibliotecas – IFLA, bibliotecas nacionais são as guardiãs do património cultural nacional de um país. Recolhem, preservam e disponibilizam a história de um país a todos os seus cidadãos e abrem uma janela sobre esse país a pessoas de todo o mundohttps://www.ifla.org/units/national-libraries/.
Ao contrário das bibliotecas públicas e especializadas, raramente permitem empréstimo domiciliar. Frequentemente, suas coleções e acervos incluem inúmeras obras raras, valiosas ou significativas, tanto em termos de exclusividade quanto de obras que registram a história de uma nação.
As bibliotecas nacionais são notáveis pelo seu tamanho e oferta de serviços de informação, liderança em serviços nacionais de documentação, funcionar como agência bibliográfica nacional (ABN), coordenação de redes de bibliotecas e desenvolvimento de catálogos coletivos, locais e nacionais. Em suas origens, em geral, bibliotecas nacionais com funções de ABN estão intimamente ligadas, no passado, àquelas do depósito legal e de aquisições de monarcas bibliófilos e indivíduos ricos.
Algumas bibliotecas nacionais podem ser temáticas ou especializadas em alguns domínios específicos, ao lado ou em substituição da biblioteca nacional “principal”. São exemplos disso: National Library of Medicine (EUA) https://www.nlm.nih.gov/ e a Biblioteca Nazionale Centrale dei Firenze (Itália) que é uma biblioteca pública nacional e uma das duas bibliotecas nacionais centrais da Itália.
Muitas bibliotecas nacionais cooperam no âmbito da Secção de Bibliotecas Nacionais da IFLA para discutir as suas tarefas comuns, definir e promover padrões comuns e realizar projetos que as ajudem a cumprir os seus deveres com base na cooperação regional e internacional.
A Secção de Bibliotecas Nacionais da IFLA apoia as bibliotecas nacionais na melhoria dos seus serviços, gerando discussão sobre temas de interesse estabelecidos e emergentes: depósito legal; catalogação e preservação; digitalização e serviços digitais; disseminação de dados e mineração de dados; a prestação de serviços centrais comuns (por exemplo, serviços de referência, bibliografia, preservação, circulação, pesquisa bibliográfica) a seus usuários e bibliotecas no seu território nacional; e a promoção da defesa da língua e da política cultural nacional.
Baby Reindeer, o aclamado livro de Richard Gadd, não se limita a ser apenas uma peça teatral: é uma profunda exploração da psique humana, tecida com humor ácido e drama visceral.
Na obra, Gadd nos convida a acompanhar a jornada de um homem atormentado por um passado traumático, onde um encontro casual se transforma em um pesadelo de obsessão, ilusão e as consequências devastadoras de um único erro.
Uma Jornada Literária Inquietante:
Baby Reindeer não é uma leitura fácil. Gadd nos guia por um labirinto de pensamentos fragmentados e emoções intensas, confrontando-nos com temas como abuso sexual, paranoia e a fragilidade da mente humana.
O livro exige do leitor um mergulho profundo na psique do protagonista, em suas motivações e na forma como ele lida com o trauma. É uma jornada literária inquietante, mas também recompensadora, que nos convida a refletir sobre os limites da empatia, a natureza da justiça e o poder da arte para curar.
A Bibliografia como instrumento de Cura:
Baby Reindeer também nos convida a refletir sobre o papel da bibliografia como instrumento de cura e autoconhecimento. A literatura, em suas diversas formas, pode ser um refúgio para aqueles que enfrentam traumas e dificuldades emocionais. Através da leitura, podemos encontrar personagens que compartilham nossas experiências, histórias que nos inspiram e perspectivas que nos desafiam a repensar o mundo ao nosso redor.
Um Livro Essencial para Leitores Reflexivos:
Baby Reindeer é um livro essencial para leitores que buscam uma experiência literária profunda e desafiadora. É uma obra que nos convida a confrontar nossos próprios demônios e a refletir sobre as complexas questões da natureza humana.
Se você está buscando um livro que te faça pensar, sentir e questionar, Baby Reindeer é a escolha perfeita.
Lembre-se: A leitura de Baby Reindeer pode ser um gatilho para aqueles que sofreram traumas semelhantes. Se você precisar de apoio, procure um profissional de saúde mental qualificado.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS, CIENTISTAS DE INFORMAÇÃO E INSTITUIÇÕES. Plataforma das Bibliotecas Brasileiras. São Paulo, [2024]. Disponível em: https://www.bibliotecas.org.br/. Acesso em: 10 maio 2024.
No Brasil, iniciativas de mapeamento das bibliotecas foram sendo descontinuadas. São exemplos: em 1969, o Instituto Nacional do Livro publicou o Guia das Bibliotecas Brasileiras, nunca atualizado. E em 1977, surgiu o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas – SNBP que foi instituído em 1992 e depois operacionalizado na Internet. O SNBP conectava vários sistemas estaduais de bibliotecas públicas do Brasil. No entanto, mesmo em 2023, o SNBP fazer parte da atual estrutura organizacional do MinC, não há indicação de responsável por sua gestão, atualização ou novas diretrizes para o mapeamento de bibliotecas no País http://snbp.cultura.gov.br/sobre/historico/.
Estes e outros motivos têm impactado o conhecimento sobre as bibliotecas no Brasil. Além disso, a falta de um censo e de um diretório atualizáveis partindo do Estado também reflete o descaso político para com as bibliotecas brasileiras.
Por um lado, a sociedade reconhece a importância de bibliotecas no seio de suas comunidades e bibliotecários são fundamentais nessa valorização. Por outro, políticas formais para leitura, livro e bibliotecas, por exemplo, exigem eficiência e qualidade desses aparelhos culturais, mas, em meio a restrições orçamentárias crescentes por parte de governantes. No entanto, vale destacar que bibliotecas, seus gestores e bibliotecários têm se mantido firmes em sua missão de atender às comunidades a que servem.
A ausência de dados completos e consistentes sobre todas as bibliotecas brasileiras também dificulta ações para a realização das premissas estabelecidas nas legislações e programas nacionais de cultura. Nessa direção, a SBB compreende que um passo significativo é o conhecimento público sobre as bibliotecas brasileiras. E isso nos parece ser um bom caminho para a promoção e desenvolvimento das bibliotecas de todos os tipos, em benefício da sociedade brasileira.
A iniciativa da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições – FEBAB – assume o compromisso de preencher muitas lacunas e empreendeu:
esforços para criar um serviço permanente de informação sobre os diferentes tipos de bibliotecas, que forneça informações qualificadas para a formulação de políticas públicas, ações programáticas, produção de estudos e diagnósticos, e geração de indicadores em âmbito nacional e que também contribua para a participação das bibliotecas brasileiras nas diferentes Seções e Grupos da IFLA e no IFLA Library Map of the World (LMW), cuja coordenação dos dados no Brasil está sob a responsabilidade da Federação“.
Uma importante tarefa da FEBAB foi a construção de uma plataforma Web de coleta, organização e disseminação de dados e informações de forma regular https://www.bibliotecas.org.br/. Esse trabalho se baseia na colaboração de todos os bibliotecários e gestores de bibliotecas brasileiros, de todas as regiões, para cadastrar e atualizar o que, em breve, será o maior diretório com dados consistentes de bibliotecas da América Latina.
De acordo com a FEBAB, “a plataforma Bibliotecas.Br foi concebida para mapear todas bibliotecas brasileiras, nos seus diferentes tipos: comunitárias, escolares, especiais, especializadas, governamentais , públicas e universitárias. Por meio desta plataforma será possível ter um panorama geral das bibliotecas brasileiras e conhecer onde estão situadas, como são seus espaços, quais são os recursos e serviços oferecidos por elas”.
Inspirada no Mapa da IFLA, a plataforma Bibliotecas.Br disponibilizará dados que serão atualizados constantemente, permitindo análises e séries históricas que poderão estimular projetos, programas desenvolvidos pela FEBAB e outras instituições de ensino, pesquisa e extensão, governamentais e não governamentais.
Uma psicóloga chamada Sabrina Fuhr escreveu um livro infantil para ajudar as crianças a lidar com as inundações do Rio Grande do Sul. O livro, intitulado “Chuva, Chuva, Vá Embora!”, usa uma abordagem lúdica para explicar a situação para as crianças e ajudá-las a processar seus sentimentos.
O livro foi criado em resposta ao impacto emocional que as inundações tiveram sobre as crianças. Sabrina diz que muitas crianças estão com medo, ansiosas e confusas sobre o que aconteceu. O livro visa fornecer às crianças uma maneira de entender o que aconteceu e como lidar com suas emoções.
O livro usa ilustrações coloridas e linguagem simples para explicar as inundações para as crianças. Ele também inclui atividades que as crianças podem fazer para ajudá-las a lidar com seus sentimentos.
Sabrina espera que o livro seja um recurso útil para crianças, pais e educadores que estão ajudando as crianças a lidar com as inundações. Ela diz que é importante que os adultos conversem com as crianças sobre o que aconteceu e que as ajudem a se sentirem seguras e amadas.